Algumas lembranças permanecem vivas na memória mesmo depois de muitos anos. E uma delas aconteceu em dezembro de 2015, quando recebi um convite que jamais imaginei receber.
Naquele dia, fui procurada pela equipe do Jornal Nacional para participar de uma reportagem sobre a importância da escrita à mão em um mundo cada vez mais dominado por telas, teclados e mensagens instantâneas.
Lembro da sensação de surpresa. Afinal, eu passava meus dias exatamente como faço até hoje: sentada diante do papel, com tinta, bico de pena e muita concentração, transformando nomes e palavras em algo único. Era um trabalho silencioso, delicado e artesanal. E, de repente, aquela arte que sempre fez parte da minha rotina ganharia espaço na televisão mais assistida do país.
Durante a gravação, tive a oportunidade de mostrar um pouco do universo da caligrafia artística e explicar por que acredito que a escrita à mão continua tão especial. Enquanto escrevia, pensava em quantas histórias já haviam passado pela minha mesa: convites de casamento, cartões cheios de afeto, envelopes destinados a momentos inesquecíveis e mensagens que seriam guardadas por toda a vida.
A reportagem, apresentada pelo jornalista Phelipe Siani, trouxe uma reflexão que considero extremamente atual até hoje. Em uma época em que quase tudo é digitado, escrever à mão se tornou um gesto raro. E talvez justamente por isso tenha se tornado ainda mais valioso.
Quando uma pessoa recebe algo escrito manualmente, ela percebe imediatamente que houve tempo, dedicação e cuidado envolvidos naquele trabalho. Existe uma humanidade que não pode ser reproduzida por uma fonte digital.
Participar do Jornal Nacional foi uma experiência emocionante, não apenas por mostrar meu trabalho, mas porque senti que estava representando uma arte centenária que continua encantando pessoas mesmo na era digital.
Quase dez anos depois daquela reportagem, continuo acreditando exatamente na mesma coisa: uma folha de papel pode parecer simples, mas quando recebe um traço feito à mão, ela ganha personalidade, significado e emoção.
E talvez seja esse o verdadeiro poder da caligrafia: transformar palavras em lembranças.
.📺 Você pode assistir à matéria completa clicando aqui.
Para conhecer mais sobre o meu trabalho clique aqui.
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